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	<title>Memória e Identidade</title>
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	<description>&#34;Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração&#34; (Lc 2,19)</description>
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		<title>Memória e Identidade</title>
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		<title>Dúvida, de John Patrick Shanley</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 20:22:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Carneiro Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Graham Greene]]></category>
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		<description><![CDATA[Gostei muito do filme Dúvida, do dramaturgo John Patrick Shanley, que adaptou sua própria peça. O trabalho junto ao elenco é formidável. Desde a sutileza em que o garoto é apresentado, numa cena breve que já anuncia uma suspeita homossexualidade, até alguns detalhes incômodos, como a coriza da personagem de Viola Davis, a reticência de Philip Seymour Hoffman ou a imagem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=memoriaeidentidade.wordpress.com&blog=8236687&post=1398&subd=memoriaeidentidade&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/11/doubt.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1399" title="doubt" src="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/11/doubt.jpg?w=300&#038;h=223" alt="doubt" width="300" height="223" /></a>Gostei muito do filme<em> Dúvida</em>, do dramaturgo John Patrick Shanley, que adaptou sua própria peça. O trabalho junto ao elenco é formidável. Desde a sutileza em que o garoto é apresentado, numa cena breve que já anuncia uma suspeita homossexualidade, até alguns detalhes incômodos, como a coriza da personagem de Viola Davis, a reticência de Philip Seymour Hoffman ou a imagem sempre espantosa de Amy Adams. Por sua vez, Meryl Steep e o diretor constroem uma rígida freira, onde o que seriam impostações caricaturais se tornam possibilidades positivas para a personagem, como se o julgamento fácil do público não pudesse nunca se justificar. </p>
<p>Enquanto assistia ao filme, me lembrava de <em>O coração da matéria</em>, romance de Graham Greene. Em ambos os casos, é fascinante como profundas implicações morais do catolicismo encontram ressonância mesmo nas adversidades aparentemente insuportáveis. São obras que esclarecem aquilo que seria uma das maiores dificuldade da fé, o livre arbítrio que Deus concede aos homens. O fato do filme terminar numa dúvida que redime elucida um pouco esse mistério.</p>
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		<title>Você</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 00:06:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Carneiro Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos de mistério]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>

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		<description><![CDATA[(Um conto de mistério policial e existencial que escrevi como carta de aniversário)
Quero convidar cinco pessoas para a minha festa de aniversário ideal. Sem nenhuma mulher no evento, quero me reunir com homens de faixa etária diversificada. 7, 16, 40, 61 e 83 anos. Espero que você me compreenda, mas o fato é que com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=memoriaeidentidade.wordpress.com&blog=8236687&post=1390&subd=memoriaeidentidade&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>(Um conto de mistério policial e existencial que escrevi como carta de aniversário)</p>
<p>Quero convidar cinco pessoas para a minha festa de aniversário ideal. Sem nenhuma mulher no evento, quero me reunir com homens de faixa etária diversificada. 7, 16, 40, 61 e 83 anos. Espero que você me compreenda, mas o fato é que com 28 anos você está cada vez mais próximo de todas as idades do mundo. Estou certo de que seria uma boa diversão essa diversidade, porque o fato é que com 28 anos você está cada vez mais próximo de todos os paradoxos do mundo.</p>
<p>Agora, me permita revelar o mistério. Você deve se perguntar por que eu quero aquelas pessoas na minha festa. Faço questão da farsa, porque aqueles cinco homens seriam eu. Por isso eu não quero te convidar para a minha festa. Seria impossível você se confraternizar com cinco pessoas tão repletas de mim. </p>
<p>Novamente, me permita revelar um outro mistério. Como nas boas histórias policiais, o segredo do crime pode estar numa frase ou numa palavra que o autor deixou evidente lá atrás. A festa de aniversário repleta de mim é uma farsa, lembra-se? É impossível você se confraternizar com cinco indivíduos tão repletos de mim, porque nem eles conseguiriam fazer qualquer tipo de festa sozinhos. Uma festa verdadeira precisa da descoberta do outro.</p>
<p>Em verdade, me permita revelar um penúltimo mistério antes que a culpa caia na governanta preterida da herança. Sim. Houve uma morte na farsa da minha festa de aniversário ideal. Foi o velho de 83 anos. Lembra-se desse personagem de mim? Mas o velho morreu porque tinha de morrer mesmo. Ninguém é culpado do inevitável e isso sempre livra a pele dos bodes expiatórios inevitáveis, como governantas e governos. Eis a revelação de que precisamos.</p>
<p>De qualquer forma, o engraçado é que os homens sabiam que a festa muito parecida com a minha vida terminaria em morte. Porém, nem por isso eles deixaram de se divertir. Lembra-se do começo do texto, onde eu estava certo de que a festa seria uma boa diversão?</p>
<p> O último mistério é um retorno ao personagem que apresentei brevemente num momento passado do texto. O personagem é você mesmo. Gostei tanto do “outro”, que quero encerrar a minha narrativa repleta de alteridade. Eu penso que numa farsa onde cheguei a apontar o sacrifício do eu velho de 83 anos, só me resta deixar todo o meu sentido e todo o meu encerramento a você.</p>
<p>Só assim eu poderia ser verdadeiramente cristão. Você – você mesmo faz toda a existência ter sentido. Você, um milagre da alteridade, uma criatura a quem posso chamar de “outro” merece tudo o que eu possa amar. E eu quero chamar de você todas as pessoas do mundo, em qualquer tempo e em qualquer condição. Das crianças que precisam de liberdade para nascer aos velhos que cumprem a responsabilidade de morrer, eis o meu desejo de toda intimidade. Quero chamar todos eles de você.</p>
<p>Neste meu aniversário, esqueça-se de mim e lembre-se de você. Espero que você me compreenda, mas o fato é que com 28 anos, você está cada vez mais próximo de você.      </p>
<p>Goiânia, 10 de novembro de 2009.</p>
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		<title>Lista pessoal: Os melhores filmes da década</title>
		<link>http://memoriaeidentidade.wordpress.com/2009/11/09/lista-pessoal-os-melhores-filmes-da-decada/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 19:53:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Carneiro Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análises]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Elogios]]></category>
		<category><![CDATA[Melhores filmes]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha lista (top-15) dos melhores filmes dos anos 2000.

15. O lutador (EUA, 2008), de Darren Aronofsky
Humano, demasiado Mickey Rourke.
 
14. A comédia do poder (França/Alemanha, 2006), de Claude Chabrol
Percebi na mise èn scene sobre o poder, uma ausência absoluta e deliberada do sexo, seja como fator criativo e unitivo, seja como fator meramente de intrigas. A esterilidade do filme [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=memoriaeidentidade.wordpress.com&blog=8236687&post=1358&subd=memoriaeidentidade&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Minha lista (top-15) dos melhores filmes dos anos 2000.</p>
<p><strong><br />
15. O lutador </strong>(EUA, 2008), de Darren Aronofsky</p>
<p>Humano, demasiado Mickey Rourke.<br />
 <br />
<strong>14. A comédia do poder</strong> (França/Alemanha, 2006), de Claude Chabrol</p>
<p>Percebi na <em>mise èn scene</em> sobre o poder, uma ausência absoluta e deliberada do sexo, seja como fator criativo e unitivo, seja como fator meramente de intrigas. A esterilidade do filme de Chabrol metaforiza muito sobre a falta de sentido e o impasse da política nos dias de hoje, seja ela qual for. Localizada, familiar, nacional ou global.</p>
<p><strong>13. Miami Vice</strong> (EUA, 2006), de Michael Mann</p>
<p><a href="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/11/9.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1368" title="9" src="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/11/9.jpg?w=300&#038;h=192" alt="9" width="300" height="192" /></a>Um filme de ação que tem &#8220;perdas de tempo&#8221; e que deixa flagrar personagens atônitos, quietos ou reflexivos. Imagens digitais e cenas incertas, mas pictoricamente a câmera de Michael Mann é sempre fascinante. Não chega a ser um filme seminal como <em>Fogo contra fogo</em>, mas <em>Miami Vice</em> é um dos maiores deslumbres experimentais do cinema de nossa época.</p>
<p><strong>12. Rocky Balboa </strong>(EUA, 2006), de Sylvester Stallone</p>
<p>A performance de Stallone é soberba. Seu Rocky Balboa é um gigante decadente que luta para buscar a paz.</p>
<p><strong>11. Amor à flor da pele </strong>(Hong Kong/França,2000), de Wong Kar-Wai</p>
<p>O filme é excessivo, muito perfumado e apegado ao fugaz. Talvez, autoconsciente de sua própria tentativa de grandesa. Mas é belo.</p>
<p><strong>10. Vou para casa</strong> (Portugal/França, 2001), de Manoel de Oliveira</p>
<p>Em Manoel de Oliveira, não ocorre o milagre estético da &#8220;perda de tempo&#8221; que faz a graça de filmes que apresento nessa relação como <em>Miami Vice</em> ou <em>Encontros e desencontros</em>. Há &#8220;ganho de tempo&#8221;. Em ambos os sentidos, a arte do cinema precisa do tempo. Resgatado, revelado, criado ou perdido.     </p>
<p><strong>9. Bastardos inglórios</strong> (EUA/Alemanha, 2009), de Quentin Tarantino</p>
<p>Filme essencialmente espetacular e divertido. A performance de Christoph Waltz é um achado estético que apazigua o absurdo do mal.</p>
<p><strong>8. Sinais</strong> (EUA, 2002), de M. Night Shyamalan</p>
<p>Um filme repleto de sentido. Narrativa orientada para um grande sentido e <em>mise en scène</em> permeada de simulacros dos nossos sentidos, onde o olhar de envolvimento do espectador é mais convidado do que orientado. Gêneros circundam o filme, do drama familiar ao filme de invasão alienígena, mas são referências de envolvimento que importam menos do que o convite ao espectador a uma curiosidade legitimamente estética.</p>
<p><strong>7. Ligado em você</strong> (EUA, 2003), de Peter e Bob Farrelly</p>
<p>Peter e Bob Farrelly são muito calorosos. Fazem filmes corajosos, atrevidos e bastante pessoais sobre o coração humano. Filmes como este, <em>Debi e Lóide</em> e <em>Amor em jogo </em>me parecem variações para a nossa época do cinema de Leo McCarey. É muito.</p>
<p><strong>6. Os excêntricos Tenenbaums</strong> (EUA, 2001), de Wes Anderson</p>
<p>O mundo de Wes Anderson é repleto de personagens decadentes em busca de redenção. Há carência, tristeza e obscuridade em seus homens, mas o universo que lhes circunda se parece com um parque de diversões. No fim das contas, são filmes solares ainda que bastante tristes. Não é para todos os gostos, mas da filmografia recente do cineasta, optei pelos <em>Tenenbaums</em> para a lista porque parece ser o filme mais apropriado de introdução ao cineasta e aos seus temas.   </p>
<p><strong>5. Monstros S.A.</strong> (EUA, 2001), de Pete Docter e David Silverman</p>
<p>As animações dos estúdios Pixar são aventuras juvenis sobre o amor. <em>Monstros S.A</em>. é belo, porque parece a metáfora perfeita para o medo injustificado que o nosso mundo tem do amor e do cuidado à infância.</p>
<p><strong>4. Gran Torino</strong> (EUA, 2008), de Clint Eastwood</p>
<p><a href="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/11/4.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1369" title="4" src="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/11/4.jpg?w=300&#038;h=200" alt="4" width="300" height="200" /></a>Gran Torino é um dos mais vulgares filmes do diretor, mas pode ser que seja o seu melhor. Há quatro décadas que Eastwood filma a inevitabilidade da morte. Cinema quase sempre antropocêntrico, como o de Howard Hawks, que vive num pêndulo entre a elegância e a vulgaridade. Filme de homens, também no sentido masculino do termo, <em>Gran Torino</em> oscila para o vulgar. Porém, há na morte final um avanço de Eastwood para a metafísica. Não é mais uma morte que se encerra no lúdico (<em>Cowboys do espaço</em>), na desesperança (<em>Sobre meninos e lobos</em>, <em>Menina de ouro</em>) ou na religação com as novas gerações (<em>Honkytonk man</em>, <em>As pontes de Madison </em>ou seus filmes sobre Iwo Jima). Em <em>Gran Torino</em>, há uma imagem de sacrifício como implicação histórica, política e, o mais importante, metafísica. Eastwood supera seu antropocentrismo.</p>
<p><strong>3. Encontros e desencontros</strong> (EUA, 2003), de Sofia Coppola</p>
<p>Bill Murray é um gênio da arte dramática que apazigua o absurdo da fragilidade do homem contemporâneo. Seu último olhar para Scarlett Johansson é uma das coisas mais fantásticas já vistas no mundo do cinema. E que Deus abençoe Sofia Coppola por ter filmado aquelas cenas de karaokê.</p>
<p><strong>1:</strong></p>
<p><strong>A paixão de Cristo</strong> (EUA, 2004), de Mel Gibson</p>
<p><a href="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/11/2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1365" title="2" src="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/11/2.jpg?w=300&#038;h=225" alt="2" width="300" height="225" /></a>Numa lista de melhores filmes da década, a <em>Paixão de Cristo</em> segundo Mel Gibson é presença importante, porque é a arte da nossa época. Criar imagens e encenações da Paixão de Nosso Senhor é algo que motiva os artistas ao longo dos séculos. É uma plenitude de história que só a arte pode lançar na materialidade de cada tempo a sinceridade do realismo sensitivo. Nossa época é hiper realista. Todos os estímulos existenciais contribuem para a visualização excessiva e para a comunicação onipresente. São dados violentos. De nossa época, de onde é possível &#8220;mostrar&#8221; tudo dessa realidade nua e crua, Gibson se aproveita da atual confecção tecnológica do cinema (em princípio, à serviço do hiper realismo) para fazer, em analogia à violência da contemporaneidade, o realismo sensitivo da paixão de Jesus Cristo. A encenação da violência mais absurda da história é feita por Gibson justamente na época mais violenta para se criar arte. Do seu modo, o cineasta foi visionário e isso sempre é o que mais importa para a estética.  </p>
<p><strong>+</strong></p>
<p><strong>A inglesa e o duque</strong> (França, 2001), de Eric Rohmer</p>
<p><a href="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/11/1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1364" title="1" src="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/11/1.jpg?w=300&#038;h=173" alt="1" width="300" height="173" /></a>Eric Rohmer quer o belo. A imagem da sua Revolução Francesa é do ponto de vista da aristocracia, porque não poderia haver beleza a partir da perspectiva que corta as cabeças. Os rostos finais das futuras vítimas são <em>closes </em>cinematográficos de vida e de movimento. Talvez só na <em>Paixão de Joana D&#8217;Arc</em>, de Carl Dreyer, a beleza dessa potencialidade do cinema foi tão dignamente alcançada. Por outro lado, a beleza que pode existir nas palavras progressistas, em seu devido contraponto à apologia inconsequente ao aristocracismo, são teatralizadas por Rohmer. Cineasta dos diálogos, Rohmer faz da beleza do teatro a justificativa histórica para a estética das falas e dos gestos aristocráticos. Tudo nessa obra de arte tende ao belo. Artista de nossa época, Rohmer se utiliza da tecnologia digital para inserir cenários pintados ao filme, nos quais os personagens aparecem em encenações típicas da plasticidade. O moderno Rohmer, da tecnologia cinematográfica dos anos 2000, faz da beleza ontológica das artes plásticas a justificativa estética para o cinema de todas as épocas.</p>
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		<title>De férias</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 20:21:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Carneiro Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Entrei de férias. É a segunda parte delas neste ano. Terei 19 dias pra fazer coisas que eu ainda não sei muito bem. Mas eu sempre tenho um amor profundo por férias, mesmo que eu não tenha planejado nada. Gosto tanto de férias que eu não poderia nunca ser um aristocrata ou um herdeiro de grande fortuna. Nasci [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=memoriaeidentidade.wordpress.com&blog=8236687&post=1348&subd=memoriaeidentidade&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Entrei de férias. É a segunda parte delas neste ano. Terei 19 dias pra fazer coisas que eu ainda não sei muito bem. Mas eu sempre tenho um amor profundo por férias, mesmo que eu não tenha planejado nada. Gosto tanto de férias que eu não poderia nunca ser um aristocrata ou um herdeiro de grande fortuna. Nasci para frequentar escolas e ter férias, e nasci para trabalhar como as pessoas ordinárias e ter férias também. Aprecio até mesmo a sonoridade da palavra férias.</p>
<p>Gosto de trabalhar razoavelmente. Não encaro o trabalho como uma obsessão em busca de fortunas pra justificar a existência, mas também não é um fardo para mim. É uma forma de passar o tempo com responsabilidade, em que procuro cada vez mais alternativas de segurança financeira. É um eufemismo pra &#8220;ganhar mais dinheiro&#8221;, mas da minha parte é uma busca que não tem nada a ver com ambições puramente pessoais. Se algum dia eu tiver um bom conforto financeiro, certamente será algo a ser dividido.</p>
<p>A rigor, a vida no trabalho é mais moral do que a vida nos prazeres, porém ambos os modelos são fadados irremediavelmente ao pó e às cinzas. No plano da eternidade, a cura para o câncer, a coca-cola e o que eu farei nas minhas férias são igualmente insignificantes. Mas antes de ser uma visão pessimista da existência, trata-se de algo que me deixa muito contente. A vida que eu divido com tantas pessoas fica repleta de sentido. Cada vez que eu tenho alguma razão pra ficar chateado com alguém ou com a humanidade, eu recordo que os meus motivos são insignificantes no tal plano da eternidade. Por outro lado, cada vez que eu tenho alguma razão pra me contentar com a dádiva fantástica que é a existência, eu me percebo demasiadamente grato pelo fato de um plano tão grandioso, como é esse da eternidade, ter contemplado também a minha felicidade. É um sentimento de gratidão que inunda de sentido o meu estar no mundo.</p>
<p>São férias que ficam sempre ao alcance do espírito. Férias intermináveis, que não tem data de encerramento. É assim que eu descubro o Reino dos Céus.</p>
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		<title>Eu matei o meu crítico</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 18:29:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Carneiro Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comediografia]]></category>
		<category><![CDATA[Contos de mistério]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu matei o meu crítico. Mas é bastante provável que eu não seja procurado pela polícia, porque, para efeitos jurídicos, ter matado um fantasma não me qualifica como um homicida. O meu crítico era uma aparição que tinha a imagem de um homem comum. Exageradamente comum. 68 quilos, 1 metro e 77, curtos cabelos pretos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=memoriaeidentidade.wordpress.com&blog=8236687&post=1338&subd=memoriaeidentidade&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Eu matei o meu crítico. Mas é bastante provável que eu não seja procurado pela polícia, porque, para efeitos jurídicos, ter matado um fantasma não me qualifica como um homicida. O meu crítico era uma aparição que tinha a imagem de um homem comum. Exageradamente comum. 68 quilos, 1 metro e 77, curtos cabelos pretos bem penteados e traços pateticamente harmônicos. Não era feio, mas também não era belo. Vestia sempre uma camisa branca, calça azul e sapatos pretos. Nas suas sete primeiras aparições, eu gritava, esperneava e não me conformava com a aparição.</p>
<p>Meu nome é Reginaldo, sou técnico da Receita Federal, moro sozinho, saio duas vezes por semana com três amigos solteirões e almoço com os meus pais aos domingos. Como o meu crítico, sou exageradamente comum e interagir com uma aparição era algo fantástico demais para a minha rotina burocrática.</p>
<p>Resolvi assassinar o fantasma depois que ele passou a me enviar relatórios. O desgraçado escrevia críticas sobre tudo o que eu fazia. De início, eu ficava irritado porque ele me observava atentamente durante os atos cotidianos para, em seguida, dizer coisas como: &#8220;você escova os dentes de uma forma deselegante, desarmônica e irregular&#8221;. Porém, nos seus últimos dias, ele me escrevia ensaios críticos, com pérolas do tipo: &#8220;É uma rotina constituída de momentos confusos, onde o existente titubeia em manifestar seus sentimentos e suas posições. As pessoas à sua volta não conseguem compreendê-lo. Trata-se de um homem um tanto ambíguo, por vezes dissimulado, mas quase sempre cínico&#8221;.</p>
<p>Um dos meus amigos é poeta amador. Quando eu lhe confidenciei que o meu crítico fantasma não me entendia, meu amigo me disse o mesmo de seus leitores. Quando eu lhe confidenciei que matei o meu crítico, ele me perguntou qual calibre eu utilizei.</p>
<p>Mas eu não matei meu crítico à bala. Na verdade, eu o atropelei depois que ele me disse que a minha marcha-à-ré desengonçada era resultado de uma &#8220;coordenação motoral mal desenvolvida&#8221;. Porém, quando eu desci do carro eu não vi o corpo. Cheguei a duvidar da minha visão. De fato, meu crítico me chamava várias vezes de &#8220;míope&#8221;. Mas o meu crítico havia era se desintegrado.</p>
<p>Tive uma formação batista que o crítico dizia &#8220;atravancar minha sexualidade&#8221;, mas nem isso me permitiu sentir culpa. Eu sempre soube que ele era um fantasma. A minha tragédia era outra. Quando eu me dei conta que era &#8220;exageradamente comum&#8221;, como o meu crítico, uma infelicidade do destino me fez igualmente fantasma.</p>
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		<title>Pureza e imaginário</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 14:32:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Carneiro Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análises]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[No imaginário de nossa cultura, pessoas que preservam a virgindade recebem colorações estranhas. Trata-se de um estado de pureza que não coincide com boa parte das preponderâncias reguladoras da atual civilização. As cenas de nossa cultura são influenciadas pelo cientificismo e se um Dr. Freud arrisca de forma pioneira que a abstinência sexual é causadora de desordens, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=memoriaeidentidade.wordpress.com&blog=8236687&post=1323&subd=memoriaeidentidade&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/11/errol_olivia.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1324" title="errol_olivia" src="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/11/errol_olivia.jpg?w=263&#038;h=300" alt="errol_olivia" width="263" height="300" /></a>No imaginário de nossa cultura, pessoas que preservam a virgindade recebem colorações estranhas. Trata-se de um estado de pureza que não coincide com boa parte das preponderâncias reguladoras da atual civilização. As cenas de nossa cultura são influenciadas pelo cientificismo e se um Dr. Freud arrisca de forma pioneira que a abstinência sexual é causadora de desordens, não serão os estudos científicos conseguintes da psicoterapia, ainda que vindos de gênios como um Dr. Viktor Frankl, que corrigirão as imperfeições do imaginário cultural. O mérito de Freud é o seu pioneirismo e a cultura se modifica mais por novidades do que por correções.</p>
<p>Talvez, durante o século XX, as únicas cenas culturais que favoreciam a pureza como fortaleza vieram de um cinema americano antigo. Havia algo de celibatário no Errol Flynn que combatia piratas, no John Wayne que vagava pelo deserto e no Cary Grant que se atrapalhava nos melodramas urbanos. Por sua vez, a virgindade das mocinhas era garantida pela inadequação da rebeldia sexual às narrativas. Nos anos 1950, alguma coisa mudou quando o cinema americano resolveu tratar dos problemas sexuais. E dá-lhe adaptações de Tennessee Williams com os atores naturalistas do método e filmes de Douglas Sirk com um Rock Hudson ainda não assumido.</p>
<p>A civilização capitalista do pós-guerra descobriu o prazer da angústia e nada melhor do que gurus do impasse para justificar a cena cultural com dúvidas, neuroses e chororôs. Não que tenham surgido necessariamente filmes piores. Particularmente, gosto de uma punhado de filmes feitos nas décadas de 50, 60 e 70. Num certo sentido, a idéia de problematizar a existência é saudável. Questionamentos contribuem para o amadurecimento civilizatório, mas o que é inadmissível é o regozijo pela problematização interminável, como se o impasse, em si, justificasse a cultura.</p>
<p>Colocar a pureza em dúvida, como se fossem impossíveis as boas aventuras românticas de outrora, foi um tremendo estrago cultural. É uma falta de disposição criativa rejeitar cenas porque elas parecem ilusórias, antiquadas ou ingênuas. Ganha-se um recorte realista, mas perde-se uma extravagância da imaginação que, a partir de sua totalidade lúdica, consegue ser mais sincera do que qualquer artifício naturalista. A pureza é bela e merece uma estética que faça bem em desvendá-la.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/memoriaeidentidade.wordpress.com/1323/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/memoriaeidentidade.wordpress.com/1323/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/memoriaeidentidade.wordpress.com/1323/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/memoriaeidentidade.wordpress.com/1323/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/memoriaeidentidade.wordpress.com/1323/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/memoriaeidentidade.wordpress.com/1323/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/memoriaeidentidade.wordpress.com/1323/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/memoriaeidentidade.wordpress.com/1323/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/memoriaeidentidade.wordpress.com/1323/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/memoriaeidentidade.wordpress.com/1323/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=memoriaeidentidade.wordpress.com&blog=8236687&post=1323&subd=memoriaeidentidade&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Libertários</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 18:40:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Carneiro Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análises]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Poder]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Penso ser uma grande incompatibilidade existencial transferir desejos libertários para a opção política quando o indivíduo, na sua relação com entes queridos ou no ambiente de trabalho, demonstra ser um tirano ou um mimado, daqueles que querem o mundo funcionando de acordo com os seus gostos e prazeres.
O apego pela liberdade não pode se vulgarizar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=memoriaeidentidade.wordpress.com&blog=8236687&post=1304&subd=memoriaeidentidade&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Penso ser uma grande incompatibilidade existencial transferir desejos libertários para a opção política quando o indivíduo, na sua relação com entes queridos ou no ambiente de trabalho, demonstra ser um tirano ou um mimado, daqueles que querem o mundo funcionando de acordo com os seus gostos e prazeres.</p>
<p>O apego pela liberdade não pode se vulgarizar em programas partidários ou em cenas culturais provacativas. A beleza da liberdade não está nas opções do que fazer com os impostos, a maconha, o sistema de saúde e a pornografia. O comportamento verdadeiramente libertário localiza-se nas relações com as pessoas que participam das decisões de nossas vidas, das mais banais às maiores. Penso que no fim das contas, a liberdade que é verdadeira para um corpo social repousa muito mais na iniciativa do indivíduo de agir para o bem comum do que no poder transferido para uma coletividade abstrata (o governo).</p>
<p>Amar radicalmente a liberdade é amar uma pessoa. É uma ação e não um <em>slogan</em>.   </p>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>De volta às corridas</title>
		<link>http://memoriaeidentidade.wordpress.com/2009/10/25/de-volta-as-corridas/</link>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 20:10:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Carneiro Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esportes]]></category>
		<category><![CDATA[Corridas]]></category>

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		<description><![CDATA[Comebacks são legais. Principalmente quando são feitos nas ruas de Goiânia.
Fotos: 2005 e 2009. E dois dos filmes mais bacanas de nossa época, Cowboys do espaço (2000) e Rocky Balboa (2006), dirigidos por Clint Eastwood e Sylvester Stallone. Eu não me inspirei coisíssima nenhuma nesses filmes, mas me lembrei deles hoje meio chapado de endorfina.
E [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=memoriaeidentidade.wordpress.com&blog=8236687&post=1294&subd=memoriaeidentidade&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>Comebacks</em> são legais. Principalmente quando são feitos nas ruas de Goiânia.</p>
<p>Fotos: 2005 e 2009. E dois dos filmes mais bacanas de nossa época, <em>Cowboys do espaço</em> (2000) e <em>Rocky Balboa</em> (2006), dirigidos por Clint Eastwood e Sylvester Stallone. Eu não me inspirei coisíssima nenhuma nesses filmes, mas me lembrei deles hoje meio chapado de endorfina.</p>
<p>E por favor ignorem as manchas em todas as camisetas abaixo. O suor já se tornou cenográfico.</p>
<p><a href="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/10/corrida.jpg"><img src="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/10/corrida.jpg?w=500&#038;h=324" alt="corrida" title="corrida" width="500" height="324" class="aligncenter size-full wp-image-1292" /></a></p>
<p><a href="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/10/corrida-002.jpg"><img src="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/10/corrida-002.jpg?w=500&#038;h=375" alt="corrida 002" title="corrida 002" width="500" height="375" class="aligncenter size-full wp-image-1293" /></a></p>
<p><a href="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/10/rocky-balboa.jpg"><img src="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/10/rocky-balboa.jpg?w=450&#038;h=299" alt="rocky balboa" title="rocky balboa" width="450" height="299" class="aligncenter size-full wp-image-1299" /></a></p>
<p><a href="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/10/comeback1.jpg"><img src="http://memoriaeidentidade.files.wordpress.com/2009/10/comeback1.jpg?w=500&#038;h=339" alt="comeback" title="comeback" width="500" height="339" class="aligncenter size-full wp-image-1297" /></a></p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/memoriaeidentidade.wordpress.com/1294/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/memoriaeidentidade.wordpress.com/1294/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/memoriaeidentidade.wordpress.com/1294/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/memoriaeidentidade.wordpress.com/1294/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/memoriaeidentidade.wordpress.com/1294/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/memoriaeidentidade.wordpress.com/1294/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/memoriaeidentidade.wordpress.com/1294/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/memoriaeidentidade.wordpress.com/1294/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/memoriaeidentidade.wordpress.com/1294/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/memoriaeidentidade.wordpress.com/1294/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=memoriaeidentidade.wordpress.com&blog=8236687&post=1294&subd=memoriaeidentidade&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Rafael</media:title>
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		<title>Pessoas involuntariamente engraçadas</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 00:50:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Carneiro Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Elogios]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>

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		<description><![CDATA[Fico encabulado com a existência de pessoas tão involuntariamente engraçadas neste mundo. Às vezes, quando estou perto de uma delas eu faço um esforço hercúleo para não rir. Digo isto não de forma zombeteira, mas como alguém fascinado por carismas, dicções e olhares que as pessoas naturalmente engraçadas deixam escapar como se fossem os melhores [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=memoriaeidentidade.wordpress.com&blog=8236687&post=1284&subd=memoriaeidentidade&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Fico encabulado com a existência de pessoas tão involuntariamente engraçadas neste mundo. Às vezes, quando estou perto de uma delas eu faço um esforço hercúleo para não rir. Digo isto não de forma zombeteira, mas como alguém fascinado por carismas, dicções e olhares que as pessoas naturalmente engraçadas deixam escapar como se fossem os melhores atores do mundo real. </p>
<p>Disfarço com uma fisionomia de canastrão para a pessoa não cogitar que eu esteja rindo da cara dela, mas na primeira deixa propositalmente engraçada do diálogo, eu sorrio aliviado e admirado de verdade pela comicidade alheia.</p>
<p>Muitas pessoas involuntariamente engraçadas falam demais. E falam pausadamente, ignorando sabiamente a pressa do mundo. Geralmente, são pessoas didáticas cuja prosa se fascina em explicar passo a passo aquilo que os pragmáticos sem razão não teriam paciência para falar. Aliás, as pessoas involuntariamente engraçadas ainda tem um puro encanto com o mundo, como se fossem as crianças do Reino dos Céus. Narram banalidades como se fossem epopéias e descrevem burocracias como se fossem poesias.</p>
<p>Algumas pessoas involuntariamente engraçadas têm fisionomias rabugentas. Quem tem cara de ranzinza é sempre ranzinza, mas quem nasce engraçado faz da sua rabugice algo parecido com um coração. </p>
<p>A pessoa involuntariamente engraçada atua num teatro caloroso, mas descoberto apenas pelo silêncio dos nossos espíritos. É o que me faz ter a vontade secreta de rir da cara dela. Porém, no teatro civilizatório, procuro ser menos canastrão. Não é preciso disfarçar a risada interior com rugas. Quando me dou conta disso, procuro entupir meus olhos de atenção para que a pessoa involuntariamente engraçada, em seu próprio silêncio, saiba do meu fascínio sincero por sua prosa banal.</p>
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		<title>Minha culpa de sexta-feira</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 14:01:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Carneiro Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análises]]></category>
		<category><![CDATA[Alfred Hitchcock]]></category>
		<category><![CDATA[Corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[Culpa]]></category>
		<category><![CDATA[Serviço público]]></category>

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		<description><![CDATA[Fomos nós, a modesta equipe de reportagem do Governo Eletrônico, eu e um colega, fazer uma matéria sobre a Corregedoria Fiscal. O encontro com o chefe da Corregedoria e seu secretário Geral foi marcado para as 16 horas de uma sexta-feira. Usualmente, gosto de sair mais cedo no último dia útil, mas a exposição simpática [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=memoriaeidentidade.wordpress.com&blog=8236687&post=1278&subd=memoriaeidentidade&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Fomos nós, a modesta equipe de reportagem do Governo Eletrônico, eu e um colega, fazer uma matéria sobre a Corregedoria Fiscal. O encontro com o chefe da Corregedoria e seu secretário Geral foi marcado para as 16 horas de uma sexta-feira. Usualmente, gosto de sair mais cedo no último dia útil, mas a exposição simpática do chefe permitiu o meu interesse constante. Foi como uma aulinha sobre o funcionamento de uma corregedoria.</p>
<p>Durante a explicação, ele citava as etapas de um processo administrativo disciplinar. O meu nome foi colocado como exemplo de mau servidor público que foi descoberto pela corregedoria. No fim da conversa, eu estava demitido numa pena aplicada pelo governador. Espero que eu nunca seja investigado pela corregedoria, mas eu tenho uma forte identificação com infratores. Algumas pessoas chamariam isto de culpa católica. Nos filmes de Alfred Hitchcock, era comum a figura do protagonista erroneamente tido como culpado e os críticos diziam que este dado autoral era relacionado com o catolicismo do cineasta.</p>
<p>Porém, a &#8220;culpa católica&#8221; não se trata apenas de uma identificação com a infração, mas principalmente com o apego necessário à redenção. De uma certa forma, as palavras do chefe da corregedoria me incomodavam porque o caráter punitivo da lei dos homens ignora completamente a questão do arrependimento. Na verdade, um bom católico nunca se sente verdadeiramente culpado. Se houver arrependimento, o sacramento da penitência é a fonte de liberdade que permite ao católico estar em paz com a sua consciência. Porém, na lei dos homens, mesmo arrependido, a punição (e não a redenção) é o fim para o infrator. Trata-se de um pagamento que continua mesmo após o arrependimento e, principalmente, mesmo após Cristo já ter &#8220;pagado&#8221; pelos erros de todos nós. A punição continuada incomoda, porque evidencia a inexorável precariedade do mundo dos homens.</p>
<p>Diante do incômodo que me leva a uma certa identificação com todos os infratores do mundo, eu diria que poeticamente sou um anarquista. Porém, politicamente ainda tenho predileções conservadoras pela repressão, porque me parece muito difícil uma sociedade de homens que seja razoavelmente livre sem que existam mecanismos de coerção. Neste sentido, uma corregedoria é fundamental, porque, sem uma realidade de repressão e punição numa secretaria da Fazenda, haveria muita facilidade para crimes fiscais que, em última instância, prejudicariam toda uma sociedade organizada.</p>
<p>Num certo momento da conversa, do qual eu assimilei uma crença sincera naquilo que faz, o chefe da corregedoria citou uma frase do nosso secretário da Fazenda: &#8220;Os bons servidores são preservados quando punimos os maus&#8221;. Nunca fez parte da minha formação e da minha índole cogitar, algum dia, ser um corruptor público. Porém, assim como o detetive bonachão de um filme de Hitchcock, ou uma daquelas amáveis xeretas de histórias policiais que descobrem o assassino numa conversa despretensiosa, o simpático chefe da corregedoria me pareceu, de algum modo, uma daquelas figuras que seria capaz de descobrir alguma coisa obscura na minha história funcional. Talvez, o fato de sair mais cedo às sextas não me faz exatamente um servidor público bonzinho. Pode ser que tenha sido uma brincadeira providencial, tão lúdica como uma história de detetive, que eu tenha sido chamado num fim de tarde de sexta-feira para conversar com o chefe da corregedoria. </p>
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