2001: Uma odisséia no espaço

Penso que, de algum modo, um fascínio bem pessoal pelo cinema desde a infância foi uma das educações para a minha espiritualidade. Entre as idades de 9 e 14 anos, eu tinha o entusiasmo de projetar a minha cabeça para os filmes e não o movimento inverso, possivelmente mais “racional”, de querer encaixar os filmes no meu entendimento limitado de mundo. Na infância, eu tive a oportunidade de descobrir filmes de John Ford, Alfred Hitchcock, Clint Eastwood e Woody Allen, por exemplo. Certamente, eu não percebia as nuances mais importantes, mas sabia que elas existiam. Anos mais tarde, eu descobri que os assuntos da fé envolvem essa analogia: é preciso projetar a cabeça para contemplar o céu, e não querer encaixar o céu na cabeça.

Talvez, o filme que encerrou a minha infância tenha sido 2001: Uma odisséia no espaço, de Stanley Kubrick. Assisti a esse filme pela primeira vez em 1995, aos 13 anos. Fiquei fascinado, especialmente pelas cenas finais que eu não compreendia, mas que são belíssimas. Desde então, já revi o filme várias vezes.

Hoje, eu vejo 2001 como um filme sobre o ser. Naqueles instantes finais que me impressionam, os cortes das cenas indicam passagens do homem que se contempla na sua casa. Na imagem derradeira e ontológica, o homem que se funda no ventre do ser, há um soberbo movimento da câmera que se aproxima do monolito negro até transitar para a cena seguinte, no espaço, onde o sujeito se encontra além da Terra. 

O monolito negro é o ser, é a razão, é o salto qualitativo que faz a natureza humana, é o mistério que guardamos temor… E, por ser 2001, o monolito negro é o cinema. Um filme que se inicia nas trevas e se encerra arrebatado. Obra de arte elevada, indiscutível e necessária. Se não é o melhor filme do mundo, este 2001 que assisti pela primeira vez aos 13 anos, é o filme que se <<salta>> com a ousadia de nenhum outro.

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2 respostas para 2001: Uma odisséia no espaço

  1. Realmente, um filmão. Ele definiu o meu interesse por cinema. Muito além de ficção científica, uma grande alegoria da civilização e dos limites do homem.

    • Rafael Carneiro Rocha disse:

      2001 tb é um dos raros filmes que nos incomodamos por não assistir na sala de cinema, rs. Chega a ser hilário assistir na TV as trevas da introdução do filme, por exemplo. Eu me lembro de que quando o filme passava na Globo, era sempre uma cena cortada.

      E como Kubrick era detalhista… Eu gostaria muito de desvendar os temas pictóricos das telas que aparecem naquela casa, por exemplo.

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