Fomos os sacrificados, de John Ford

John Ford serviu as forças armadas americanas durante a II Guerra. Nos créditos de seu filme They were expendable (1945), sua patente é escrita na tela. Justíssimo. Se em todos os seus filmes, a beleza das encenações envolve o porte rigoroso dos atores (ainda que seja em posição de relaxamento), em They were expendable, Ford faz dos oficialismos militares o motivo justo para revelar de seus intérpretes os significados profundos das posturas eretas, dos joelhos dobrados e dos traseiros conformados ao chão.

Na arte do John Ford que fez a guerra e o cinema, é a postura que revela os homens. Visão de mundo conservadora, crédula na dignidade permanente dos errantes que cumprem o inexorável dever de morrer.

Mas Ford não é ingênuo, nem ao ponto do ufanismo bobo alegre, nem da crítica amarga que banaliza a gravidade dos seres. No filme, um mesmo tipo de composição se repete. De costas para a câmera, um personagem observa militares conversarem à distância. Uma decisão é tomada silenciosamente e o observador será submisso a ela. E Ford é o sujeito que filma, sereno para desbravar alguma verdade escondida.

Postura de católico, antes de tudo.

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