Person of interest – 1ª temporada

Uma produção audiovisual em série já nasce com problemas estéticos. Não dá para comparar séries de TV com cinema, apesar de vários esforços críticos que apontam para uma virada de qualidade: muitos dizem que as séries estão melhores do que os filmes. De fato, há séries que são melhores do que muitos filmes, mas o cinema possui, nos melhores casos, uma riqueza sintética e um esforço místico que qualquer coisa organizada em série por dezenas de roteiristas e diretores, para ser exibida entre intervalos comerciais, jamais conseguirá ter.

Mas há algumas coisas que podem ser agradáveis numa série. Uma delas é a caracterização. As boas séries, me parecem, que têm boas caracterizações, ou bons atores que te fazem acompanhar com interesse a profundidade do personagem. Os atores de televisão não precisam ser cinematograficamente magnéticos para tal empreita. John Wayne e Jack Nicholson não cabem na televisão.

Há uma série, Person of interest, que assisti à primeira temporada integralmente. Criada por Jonathan Nolan, um dos roteiristas da última trilogia Batman, Person of interest tem o mérito de apresentar um protagonista que reúne muitas virtudes autenticamente heroicas, como nenhum outro de sua época. Jim Caviezel, é o ator perfeito para este personagem viril, cavalheiro, casto, corajoso, bravo, altruísta e, além disso, perito em armamentos e artes marciais. Sim, existe um personagem com todas essas qualidades e o seu nome é John Reese, um ex-agente da CIA, entristecido por episódios de seu passado militar. É bastante difícil para o espectador, em nossos tempos cínicos, ser cativado por um personagem de tal estirpe, mas Jim Caviezel assume a caracterização com carisma.

Seu parceiro de ação é um nerd igualmente altruísta, Harold Finch, vivido pelo ator Michael Emerson. O espectador consegue realmente gostar desses caras. A equipe tem ainda uma policial honesta (Taraji P. Henson) e um policial corrupto em busca de redenção (Kevin Chapman).

A trama é a seguinte: Finch criou para o governo americano uma certa “Máquina” que, de posse de todas as informações levantadas pela internet, celulares, câmeras de segurança, e tudo o mais, consegue mapear moradores de Nova York, pelo número de seguridade social, que são as tais “pessoas de interesse”, aquelas que vão cometer um crime, ou que serão vítimas. A ideia da “Máquina” era ser uma força de combate ao terrorismo, mas como seu criador identificava nela uma abrangência que não interessaria ao governo, resolveu tomá-la para si. Anos depois, após observar o ex-agente da CIA John Reese, e ser convencido de seu bom caráter, Finch resolve convocá-lo para ajudar-lhe a prevenir crimes. Finch é apenas um nerd e não daria conta dos combates físicos que isso exigiria. Reese aceita a parada e temos, em cada episódio, um número de seguridade social, cujo portador pode ser uma vítima ou um criminoso. Os dois são ajudados por policiais, o que confere um aspecto interessante à série. Além da boa caracterização dos protagonistas, Person of interest faz um levantamento intrigante de situações moralmente válidas, mas politicamente ilegais.

Orientação: A série contém cenas de violência e de investigação forense. O piloto não é bom e tem quase o valor de um comercial de apresentação da série. Mas é preciso resistir a ele e a alguns dos primeiros episódios, porque o resultado do todo vale a pena.

Melhores episódios: 2 (Ghosts), 17 (Baby blue), 21 (Many happy returns) e 23 (Firewall).

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