Caçadores de obras-primas, de George Clooney

monuments2Apesar do mundo da fofoca nos informar que George Clooney é um típico esquerdista hollywoodiano, seu novo filme, The monuments men, me parece ser uma das narrativas mais conservadoras de toda a história do cinema americano.

É um filme de II Guerra Mundial, com humor, sobre um grupo encarregado de resgatar obras de arte que foram roubadas pelos nazistas. Preservar a tradição que construiu o mundo ocidental e o próprio modo como vivemos e pensamos é o objetivo fundamental da trupe de pesquisadores de arte que, também para salvar a própria pele, necessita se comportar como pelotão de verdade, apesar das dezenas de quilos e anos a mais do que a maioria dos combatentes.

Senti falta apenas de uma construção narrativa mais longa dos processos de recrutamento e treinamento do grupo, editadas como se fizessem parte de um trailer. Aliás, as cenas correlatas no trailer ficaram mais engraçadas do que no filme. E eu senti especialmente esse falta, porque o elenco é muito bom e tem ainda a presença de um fenômeno das artes cênicas chamado Bill Murray.

Mas o fato é que o tema do filme é a “conservação” e Clooney, honestamente, faz um filme que enfatiza diversos tipos de tradições, ao melhor estilo de um certo imaginário direitista, que combina humor e virilidade. A camaradagem masculina, o espírito de altruísmo dos combatentes de guerra, e a fidelidade conjugal a um oceano de distância – nada disso escapa a Clooney. Um exemplo sutil e interessante é a cena em que o personagem casado de Matt Damon escapa à investida de Cate Blanchett. Ele segura-lhe a mão, revelando para o espectador a sua aliança. Clooney também aplica um potente gancho de direita, quase ao fim do filme, quando a bandeira americana surge como uma hilária provocação aos soviéticos.

De qualquer forma, o núcleo de conservação do filme, que os personagens buscam com grande afinco, são obras de arte católicas, principalmente a escultura de Nossa Senhora com o Menino, de Michelangelo. O risco que os personagens correm significa uma coincidência entre a preservação da vida e da tradição religiosa.

Em última instância, não há conservadorismo sem a Igreja que Cristo fundou para preservar, em tradição, tudo o que o homem pode ser, agir e fazer de melhor.

The monuments men é um filme conservador e, se por acaso saiu de um cineasta de esquerda, talvez isso possa ser entendido como uma provocação a uma direita protestante ou liberal, obcecada por buscar o seu fundamento em programas econômicos, ou em provocações morais pontuais, ao invés de se deter naquilo que verdadeiramente fundamenta o espírito conservador – a preservação de uma bem definida liberdade dos indivíduos de todas as contingências conceitualmente precárias criadas por uma autoridade.

Talvez, voltando-se para a II Guerra, Clooney sorria para a nova direita e lhe diga: “já não se fazem mais homens conservadores como antigamente”.

Orientação: Recomendado para adolescentes e adultos. Contém cenas brandas de violência.

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