House of cards

O maior problema dramático de House of Cards que, na minha opinião, faz com que essa série  seja, simplesmente, merecedora de ser ignorada – e eu digo isso depois de ter assistido às duas primeiras temporadas – é que o protagonista é unidimensional, ou seja, um cínico psicopata que pronuncia frases de efeito incessantemente e que consegue, simplesmente, tudo o que pretende, sem passar por nenhum tipo de perda ou perigo real. Além dos mais os coadjuvantes, com a exceção de um dono de costelaria, são todos eles mais marionetes do que pessoas (o personagem do presidente é simplesmente constrangedor).

A unidimensionalidade dos personagens tem como objetivo reforçar a tese do autor da série, Beau Willimon, de que o mundo da política é cínico, cruel, etc, etc… E, nesse sentido, os personagens são desenvolvidos esquematicamente de modo a comprovar tal visão.

Frank Underwood pode ser um anti-herói, como Tony Soprano ou Walter White. Mas comparar House of Cards com as boas séries de TV não faz muito sentido, porque seu protagonista não tem a diversidade moral de um anti-herói bem construído. Um psicopata unidimensional, cujas ações são praticamente todas elas imorais, teria de ser um coadjuvante, com a função apenas de engatar alguma reviravolta, e não um protagonista.

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4 respostas para House of cards

  1. The Bat disse:

    Você tem até razão, mas, pegando esse gancho, achei interessante como a ameaça mais real que FU sofreu até agora partiu de sua esposa. Ele pode ser um psicopata cínico unidimensional, mas ainda tem sentimentos. Pelo menos é o que pareceu.

    • Rafael Carneiro Rocha disse:

      Eu ainda não assisti à terceira temporada, que pelo o que você disse, parece explorar mais o vínculo dramático entre o casal. Isso parece tornar a série um pouco mais interessante. De fato, desde o começo, fica claro que o único vínculo minimamente afetivo que Underwood tem é com a esposa. Esse tipo de afeto torna o personagem mais profundo, sem dúvida.

  2. Eu concordo com alguns pontos que você citou. E a terceira temporada foi a que achei mais fraca. Até pensei que fossem explorar mais uma das fraquezas dele, a bissexualidade, mas ainda não aconteceu. Quando isso vier à tona, vai ser muito interessante.

    P.S.: E quando eu chamo bissexualidade de fraqueza, estou no contexto da série, que fique bem claro. 😉

    • Rafael Carneiro Rocha disse:

      Talvez isso nem seja explorado. Acho que há outras características do personagem que podem colocá-lo em situações maiores de perigo. Mas isso ainda deve demorar a acontecer, infelizmente. A não ser que queiram terminar a série na quarta temporada. Aí, talvez ele corra uma porção de riscos e o mundo dele desabe – para o bem dos espectadores.

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