Os oito odiados, de Quentin Tarantino

Até o momento em que Quentin Tarantino sustenta o mistério dos seus personagens, encobrindo ao máximo possível as motivações de cada um, Os oito odiados é o melhor filme do cineasta. Porém, justamente a partir das cenas que culminam na primeira morte de um dos “odiados”, as coisas se desenvolvem de uma tal maneira que, no fim das contas, pelo menos essa foi a minha impressão, resultam no pior filme de Quentin Tarantino. O mistério que Tarantino controlava tão bem nos diálogos, nos efeitos sonoros da incômoda nevasca, na trilha original misteriosa e divertida de Ennio Morricone e no enclausuramento cênico dos personagens, se desvanece quando o cineasta, ao invés de resolver os  mistérios, as ambiguidades e as sugestões por esforços narrativos que  poderiam muito bem tornar os personagens mais instigantes, decide simplesmente por aplainar todas eles num jogo de brutalidade. Os oito odiados deixam de ser oito personagens para se tornarem uma exagerada e aborrecida imagem de uma única ultra-violência, que explode até mesmo as colunas da coesão narrativa, algo que nunca havia sido problema para um roteirista talentoso como Tarantino. Os oito odiados parece ser o filme de Tarantino que mais cita o próprio Tarantino, especificamente na ideia de um clímax à Cães de aluguel; porém, a obsessão do cineasta em repetir isso não fez nada bem para a sua recente obra. Pena. Na minha opinião, Os oito odiados é o primeiro filme ruim de Quentin Tarantino.

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