Ave, César! e Invocação do Mal 2

Até o presente momento, meus dois filmes favoritos da safra 2016 são Ave, César! (dos irmãos Coen, lançado em abril) e Invocação do mal 2 (de James Wan, lançado no último fim de semana).

Os irmãos Coen têm tanto prazer em narrar a história, que todas as referência ao modus operandi dos clássicos da era de ouro dos grandes estúdios de Hollywood não têm nada a ver com citações satíricas com ar de superioridade ou ainda com meras homenagens vazias; mas, isto sim, com a única saída possível para quem ainda acredita nos encantos narrativos do cinema. A crença dos irmãos Coen no bom cinema narrativo deixa claro para nós que o cineasta têm de ser crédulo para que, enquanto espectadores, acreditemos no filme, por mais absurdo que tudo aquilo possa parecer.

Por sua vez, o filme de terror de Wan me agradou muito, porque eu também vi ali um cineasta profundamente comprometido com a crença. A narrativa de Invocação 2 baseia-se em eventos sobrenaturais que teriam ocorrido em Londres no fim dos anos 70 e toda a construção narrativa fundamenta-se na crença de que tudo foi daquele jeito: não apenas as manifestações demoníacas, mas os penteados, os objetos cotidianos e até o clima de melancolia causado pelas intensas mudanças culturais e crises econômicas, de maneira que tudo é envolvido pelo pano de fundo das típicas músicas tristes do período (numa certa altura, o uso de I started a joke, dos Bee Gees, é um soco no estômago).

Porém, o que mais me chamou a atenção nesses dois filmes é que seus protagonistas do passado são dois sujeitos católicos, moralmente íntegros, e radicalmente crédulos daquilo que seria a missão própria e tradicional do varão: amar a mulher e proteger a família. Você pode discordar dessa visão de mundo, mas o fato é que em mentes criativas elas sempre rendem boas histórias. E que esses dois filmes, que acenam um tanto positivamente para modos de vida que eram mais habitais no passado, sejam distribuídos por grandes estúdios de Hollywood em 2016 indicam algo mais fácil ainda de acreditar: os produtores de cinema não são todos eles inimigos dos costumes tradicionais e da religião obcecados em incutir ideais revolucionários nos espectadores com o objetivo de promover grandes mudanças culturais. Eles querem principalmente ganhar dinheiro e o fato é que enquanto houver filmes tão bons quanto Ave, César! e Invocação 2 saindo de Hollywood, continuaremos todos nós, conservadores e progressistas, a pagar para vê-los.

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