… a moçada vai pedir bis!

saltimbancos

É claro que eu adorei a nova versão dos saltimbancos. Eu estou entre aqueles que sempre vão pedir bis para Didi e Dedé. É um prazer ver e ouvir gente que se preocupa com performance ao fazer uma piada em cena. Embora estejam velhos e sem a mesma capacidade de outrora para o humor físico, Renato Aragão e Dedé Santana ainda têm, cada um do seu modo, senso de impostação e de tempo para nos fazer gargalhar até mesmo com piadas ingênuas de almanaque. Não quero aqui fazer uma defesa do humor ingênuo em contraposição ao humor ferino, mas o fato é que só podemos nos certificar se alguém é realmente um hábil comediante se, ao refletirmos sobre a gênese da nossa risada,
nos apercebermos que nosso prazer se originou mais da “forma” com que a piada foi encenada do que com o seu “conteúdo”. Em tempos de banalização da stand-up comedy, em que muitos medíocres chamam a atenção do público tão somente pelo conteúdo mordaz de seus textos – e aqui no Brasil a coisa é mais grave ainda, porque pouquíssimos conseguem se atentar minimamente para os desafios artísticos das performances verbal, fisionômica e corporal – Didi e Dedé são muito mais do que guardiões do humor ingênuo. A resistência desses octogenários é mais profunda. Eles são guardiões de uma arte cênica em vias de extinção.

 

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