Sobre o autor

Católico, casado e pai.

Jornalista e mestre em filosofia.

2 respostas para Sobre o autor

  1. Eduardo Pereira disse:

    Bom dia Rafael !
    Que bom que voltou a escrever no seu Blog !

    Gostaria de comentar umas impressões sobre o Oscar…O assunto não é de extrema importância, mas penso que vale uma reflexão. É sobre a reclamação de que o Oscar foi Machista e Racista.

    Eu penso que “representação”, é algo da política, portanto se uma sociedade é composta por
    20% de latinos, 30% de negros e 51% de mulheres, essas proporções não necessariamente
    precisam estar presentes nas empresas, nas universidades, nas religiões, e nas artes. Na politica talvez, porque é onde a realidade é manipulada pelas tendências da moda. Falar em “meritocracia” é perigoso: vão te chamar de nazista, fascista, extrema direita, ou algo desse pacote.

    Por outro lado, entendo que a meritocracia por si só, dá margem a um mundo perverso….a vida do homem na Terra é uma conta que não fecha nunca. Jamais fechará. Só fecha se falarmos em Deus, na Redenção e no Pecado Original. Aí tudo se encaixa. Mas aí, saio da “meritocracia” e entro no “fundamentalismo”, segundo o julgamento laicista…

    Mas quero especificamente falar da MULHER NO CINEMA…A questão, dizem algumas atrizes americanas, é que apenas 15% dos papéis protagonistas são oferecidos às mulheres. E quando uma mulher é o personagem principal de um filme, é em casos de mulheres problemáticas, em cirse…

    É simplista a meu ver, chamar isso de “machismo”, Creio que ver uma atriz “turbinada” e com roupas apertadas, dando tiros em bandidos ou liderando uma equipe e tomando ecisões estratégicas, É SIM um atrativo no cinema ( e TEM que ser bonita ). Mas não dá para preencher o cinema com muitas atrizes do estilo de Angelina Jolie. Homens gostam de SE VER no CINEMA, seja na pele daquele cara forte que bate em todo o mundo e beija uma mocinha no final, ou mesmo num filme “cabeça”, um homem que resolve um dilema pela sua inteligência ou pela sua coragem, em suma: o homem herói e protagonista. E parece-me que a mulher também prefere o homem protagonista. Penso que uma QUOTA de 50%, de filmes com mulheres fortes e corajosas que matam bandidos e PROTEGEM O NAMORADO ASSUSTADO, ou algo parecido em filmes dramáticos, PARECE NÃO AGRADAR A NINGUÉM, apenas às feministas. É possível se aprofundar para justificar melhor, mas esse texto iria se alongar demais, mas penso que a Indústria do Cinema, não é machista e sim capitalista.

    O que acha, a respeito ?

    Abraço

    Eduardo Pereria

    • Rafael Carneiro Rocha disse:

      Olá Eduardo.

      Uma vez que a premiação do Oscar não diz respeito somente aos méritos estéticos dos filmes, tendo em vista que campanhas publicitárias influenciam bastante os votantes (e que, portanto, há também uma questão de poder envolvida – ou seja, de quem pode investir mais) é inevitável que haja também uma publicidade em prol de determinados grupos que querem poder (de gênero, de etnia, etc).

      Porém, qualquer pessoa inteligente sabe que, se realmente há uma boa vontade em refletir apenas sobre méritos estéticos para listar indicados e escolher premiados, não há qualquer problema numa lista que tenha 5 atores brancos, por exemplo. Pode ser o caso que, segundo os critérios estéticos de um votante, que as cinco melhores performances sejam de atores brancos. Se, portanto, o Oscar quiser ser aquilo que ele pretende ser (por mais que seja apenas um ideal, isto é, de ser um prêmio de critérios puramente estéticos, que valoriza as melhores performances, os melhores resultados cinematográficos e os melhores filmes) faz parte dessa lógica mesma que não haja, necessariamente, critérios políticos a lhe influenciar. Porém, o desvirtuamento mesmo do ideal que o Oscar teoricamente pretende ser contribui para que grupos reclamem, politicamente, por maior participação. Isso, ao meu ver, só reforça a banalidade do Oscar, por mais que ainda seja algo um tanto divertido, pelo menos para quem gosta de acompanhar esse universo do cinema. Anualmente, acompanho as notícias e até “torço” para certos indicados, por mais que eu esteja ciente de que é uma palhaçada.

      Agora, em relação ao papel da mulher no cinema, eu acho que é legítimo reclamar por melhores filmes sobre mulheres e o universo essencialmente feminino. Mas eu penso que isso deve ser um papel da crítica. É importante que um crítico compreenda um filme como Ida, por exemplo – um filme bastante feminino, e esteja ciente de quais os elementos que o fazem ser um filme profundo sobre mulheres. Por outro lado, também é importante um crítico analisar algo como Sex and the city e apontar severamente os problemas ali envolvidos. Somente a boa crítica, ao meu ver, é que deve ter o papel de apontar o estado de coisas e, sendo crítica, não deve ser uma instrução política (do tipo, “façam mais filmes desse tipo”, ou “devia ser proibido coisas assim”), mas meramente um convite para a reflexão. Uma crítica inteligente e um público inteligente é o que, espontaneamente, podem melhorar os filmes, uma vez que hoje os próprios realizadores também foram pessoas formadas dentro de um público e de grupos específicos que apreciam e comentam os filmes.

      Para completar, gostaria de citar um trecho da obra de Edith Stein, A mulher – Segundo a natureza e a graça, traduzido para o português por Alfred Keller. As reflexões da autora podem servir de fundamento para nos darmos conta de uma das causas pelas quais os filmes com temática propriamente feminina sejam poucos (o domínio do mundo, tema básico de tantas histórias, é um papel originariamente e fortemente masculino – ainda que não exclusivo). Por outro lado, pelas reflexões mesmas da autora, podemos encontrar outros fundamentos narrativos, que poderiam muito bem ser explorados pelo cinema para retratar o universo feminino. Se esses filmes não estão sendo feitos (Ida é uma bela exceção), a responsabilidade é menos de um “machismo” do que de uma falha de sensibilidade dos realizadores – tanto homens, quanto mulheres.

      Segue a citação:

      “Segundo a ordem original, seu lugar (da mulher) é ao lado do marido, no empenho de submeter a terra e de cuidar dos descendentes. Mas, seu corpo e sua alma se prestam menos à luta e à conquista e mais à prática de cuidar, guardar e conservar. Das três atitudes básicas diante do mundo – conhecer, desfrutar e criar – ela prefere normalmente a segunda; parece que ela é mais capaz de alegrar-se, respeitosamente, com as criaturas do que o homem (considerando sempre que essa alegria respeitosa pressupõe o conhecimento específico dos bens, um conhecimento que se distingue do conhecimento racional, mas que nem por isso deixa de ser uma função mental própria que parece ser o forte da mulher). ao que tudo indica, essa atitude está ligada à sua função de cuidar da prole e de promovê-la; trata-se de uma percepção especial da importância do orgânico, do todo, dos valores específicos, do individual. Desta maneira, ela se revela sensível e atenta a tudo que quer vir a ser, crescer, desenvolver-se e que, por isso mesmo, exige consideração com as suas próprias leis. Essa percepção do orgânico e do específico é benéfica não só à prole, mas a todas as criaturas, sobretudo também ao homem, fazendo dela a companheira e ajudante compreensiva nos empreendimentos de outrem. Sob esse aspecto, destaca-se com bastante clareza e complementaridade do homem e da mulher, prevista pela ordem original da natureza: no homem aparece em primeiro lugar a vocação dominadora e, em segundo lugar a da paternidade (que não é nem subordinada e nem complementar à dominação, devendo antes ser integrada a ela); na mulher é a vocação à maternidade que predomina, enquanto a participação no domínio aparece como secundária.

      Assim como o conhecimento, o deleite e o agir da mulher não se distinguem fundamentalmente dessas mesmas faculdades do homem, aparecem também nela as mesmas formas de degradação: de apossamento viciado e até destrutivo das coisas. Mas, as diferenças de importância e localização dessas funções dentro da personalidade e da vida total de ambos levaram também a diversos modos de degenerescência depois da queda. Já foi mencionado acima que a mulher, em virtude de sua constituição, se mostra mais protegida contra a unilateralidade e o atrofiamento de sua humanidade do que o homem. Por outro lado, trata-se de uma unilateralidade mais perigosa a que ela está exposta: como ela tem menos afinidade com o conhecimento e a criação do que com a posse e o desfrute dos bens, corre o risco de se fixar exclusivamente nestes. Se ainda, por cima, a alegria respeitosa diante das coisas degenerar em cobiça, teremos de um lado a acumulação avarenta e ciosa de coisas fúteis e do outro a decadência de uma vida tola e inativa, presa aos instintos”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s